"A ouvir, ler
e procurar pela internet várias opiniões sobre homo-afetividade ou homo-erotismo, deparo-me com vários conceitos e desconceitos sobre o tema. O que
quero tratar é justamente é justamente a história por trás da homossexualidade
e dos nomes que usamos para designar esse comportamento.
Então, em Atenas, mais do que uma valorização do comportamento homossexual, existia uma desvalorização da mulher em todos os sentidos. Sobrava então ao homem o comportamento homo-erótico buscar prazer sexual com outro homem. Os jovens, inclusive, eram iniciados socialmente, também, através de práticas sexuais com outros homens. Não havia necessariamente penetração, mas sim estimulação genital. Eles, então, não eram homossexuais, porque essa prática sexual ateniense não se compara em nada com a prática sexual que temos hoje em dia.
Podemos dizer que a religião “oficial “ de Portugal é o cristianismo, isso quer dizer que pensamos sobre o cristianismo como algo natural, cultural e geralmente não questiona-mos seus valores.
Foi com o advento do cristianismo que a sexualidade perdeu espaço. E era necessário que isso acontecesse!
O sexo, para o cristianismo, deveria servir unicamente para a procriação. Dessa forma, garantir-se-ia a perpetuação da cultura cristã, sem se misturar ou perder diante das outras que pregavam a sexualidade como caminho religioso. Passaram-se então séculos com essa cultura, onde o sexo só poderia servir para a reprodução. Houve então a valorização do amor romântico e o casamento por amor. O casamento na sociedade portuguesa passou a ser o único local onde a prática sexual é permitida, e somente para fins de reprodução, para santificar a criação divina.
Ao se falar de sexualidade, definiram o padrão cultural do casamento cristão como o correto e o chamaram de heterossexual, por se tratar de um encontro sexual entre diferente (um homem e uma mulher) e todo o resto era errado, como o homossexual, o que se encontrava sexualmente com um igual (homem com homem ou mulher com mulher). Mas essa não era a única prática sexual abominada pela sociedade: tínhamos também a poligamia, onde um homem casava-se com mais de uma mulher (como ainda acontece entre alguns povos árabes) e a menos conhecida poliandria, onde uma mulher casa-se com mais de um homem, o que acontece em poucas tribos espalhadas pelo mundo. Nada disso era aceito e era visto como desvio ou até mesmo doença.
A noção de doença ganhou força com o crescimento da medicina. O homossexualismo, ou condição de ser homossexual, era sinônimo de doença e que deveria ou poderia ser curado, justamente por ir contra os padrões ditos naturais de procriação. O sexo é visto como meio de se ter prazer, além de procriar. As mulheres também passaram a ser mais valorizadas e seus desejos reconhecidos.
Hoje, ser homossexual pode não ser visto como doença, mas ainda é carregado de preconceito, independentemente de como o chamem. Na prática, não importa como se classifica, pois, ao se classificar, já se coloca o estigma do diferente.
Ser homossexual não é só gostar de pessoas do mesmo sexo, mas se comportar segundo uma cultura própria, com práticas.
O mais engraçado é que essa mesma cultura, ao se tentar diferenciar da cultura machista e heterossexual dominante, acaba reafirmando-a, dizendo que o homossexual precisa ser diferente do “normal”. Criamos então pré-conceitos de diferença e até mesmo o homossexual acaba sendo preconceituoso ao querer se afirmar como diferente, ao se portar como diferente só para marcar presença. Ele afirma, com sua postura, que a sociedade dominante, ao ser errada em não aceitá-lo, está certa ao manter esses padrões para homens e para mulheres. Se és homem gostas de mulher e se tu gostas de homem és mulher: por isso homossexuais homens se portam como mulheres, como resposta direta não à liberação homossexual, mais sim ao heterossexismo (é um termo relativamente recente e que designa um pensamento segundo o qual todas as pessoas são heterossexuais até prova em contrário)
